Exercícios de PortuguêsFlexão verbal de pessoa


Flexão verbal de pessoa - Exercício 1

  • (FUNCERN 2015)
    MAIORIDADE PENAL: UMA ANÁLISE SOBRE O CÉREBRO DOS JOVENS
    Carlos Orsi
    1 Um dado curioso do debate brasileiro sobre maioridade penal é a insistência com que emerge a afirmação,
    2 peremptória, de que os jovens de hoje “não são ingênuos como os de antigamente” e “sabem muito bem o
    3 que estão fazendo”.
    4 A primeira questão que um observador cético poderia levantar é: “de antigamente”, quando? Em 1874, os
    5 Estados Unidos condenavam Jesse Pomeroy, de 14 anos, à prisão perpétua por duplo homicídio. William
    6 Henry “Bonney” McCarthy, o “Billy the Kid” do Velho Oeste, matou pela primeira vez aos 17 e, aos 20, já tinha
    7 a cabeça a prêmio. Foi morto pouco depois, em 1881. Nathan Leopold e Richard Loeb, a dupla de assassinos
    8 que inspirou o filme “Festim Diabólico”, de Alfred Hitchcock, cometeram o assassinato pelo qual foram
    9 condenados, em 1924, quando já eram maiores de idade – tinham 19 e 18 anos, respectivamente – mas
    10 haviam participado de crimes menores, antes.
    11 Delinquência juvenil – incluindo crimes escabrosos, cometidos com arrogância, violência e crueldade – não é
    12 invenção dos tempos modernos. A percepção do problema talvez seja maior hoje do que foi no passado,
    13 mas, como apontou uma reportagem da Folha de S. Paulo, faltam dados para que possamos ter sua real
    14 dimensão.
    15 Agora, se adolescentes que cometem crimes bárbaros não são exatamente uma invenção moderna, o que
    16 dizer da alegação de que eles “sabem muito bem o que estão fazendo”? Há alguns anos, nos Estados Unidos,
    17 foi produzida uma boa consolidação da ciência a respeito da capacidade do cérebro adolescente de,
    18 exatamente, saber o que está fazendo. E isso por causa de Christopher Simmons.
    19 Esse jovem havia sido condenado à morte, aos 17 anos, por um crime arrepiante: a vítima, uma mulher, foi
    20 amarrada com fita adesiva, cabos elétricos e jogada do alto de uma ponte. Em 2005, quando Simmons já
    21 estava com 28 anos, a Suprema Corte dos EUA determinou que a condenação à morte de menores de 18
    22 anos era inconstitucional.
    23 Em 2004, quando a questão ainda se encontrava em aberto, a revista Science publicou uma reportagem sobre
    24 o papel da neurociência no julgamento. Resumindo, a melhor evidência científica diz que o cérebro de um
    25 jovem de 16 ou 17 anos ainda não atingiu o desenvolvimento pleno de áreas fundamentais para a
    26 responsabilidade criminal, como as envolvidas no controle das ações impulsivas, das emoções e da
    27 capacidade de resistir à tentação de prazer imediato. Ruben Gur, da Universidade da Pensilvânia, resumiu a
    28 questão assim: “A própria parte do cérebro que o sistema legal julga só entra em ação mais tarde”.
    29 Desde que a neurociência ajudou a convencer a Suprema Corte a salvar a vida de Simmons (que hoje cumpre
    30 prisão perpétua), a questão do “teenage brain” – “cérebro adolescente” – assumiu um papel importante no
    31 sistema judiciário dos Estados Unidos. Alguns advogados logo tentaram usar a cartada da imaturidade juvenil
    32 para neutralizar, de vez, a culpabilidade de seus clientes, como se o cérebro imperfeito fosse a “verdadeira
    33 causa” dos crimes.
    34 Poucos cientistas endossam essa interpretação radical: ser adolescente não basta para transformar ninguém
    35 em criminoso. Há outros fatores envolvidos, inclusive sociais. Uma análise publicada recentemente,
    36 envolvendo mais de 50 mil homicídios cometidos na Califórnia ao longo de duas décadas, mostra que a
    37 correlação entre idade adolescente e comportamento criminoso é mais forte nas parcelas mais pobres da
    38 população e praticamente desaparece entre os ricos.
    39 O que se sabe, de fato, é que o cérebro jovem é mais vulnerável a estresse, a emoções fortes e tem baixa
    40 capacidade de analisar as consequências de longo prazo de suas ações. Jovens são naturalmente mais
    41 irresponsáveis, e não é muito difícil imaginar que as pressões trazidas pela pobreza aumentem a tentação de
    42 agir irresponsavelmente.
    43 E o que tudo isso tem a ver com o caso concreto da maioridade penal? Não vou defender aqui a ideia de que
    44 ser irresponsável é ser inimputável. Como escreveu um poeta, “toda perversidade é fraqueza”; logo, ser fraco
    45 não deveria bastar para desculpar ninguém.
    46 Mas, se o jovem está disposto a cometer um crime e ainda não está mentalmente equipado para avaliar
    47 consequências de modo eficaz, será que o medo de “ser preso como adulto” vai impedi-lo?
    48 Talvez, dado o modo como o cérebro adolescente funciona, o efeito dissuasório de uma redução da
    49 maioridade penal seja muito menor do que se imagina.
    50 Claro, dissuasão não é a única função da pena. Há a questão da correção do comportamento e de se tirar
    51 elementos perigosos de circulação, poupando possíveis futuras vítimas.
    52 Mas lembremo-nos de que o Brasil não tem prisão perpétua e de que um jovem, julgado e preso como adulto
    53 aos 16, muito provavelmente voltará às ruas antes dos 30, tendo passado os anos que, na população em
    54 geral, são usados para aprender uma profissão e começar uma carreira, trancafiado na companhia de
    55 bandidos experientes. Do jeito que a coisa está, os adolescentes presos sairão da cadeia, já adultos,
    56 graduados em colégios técnicos da crueldade e em universidades do crime.
    Fonte: adaptado de . Acesso em: 02 jul. 2015.

    Considere o trecho:

    Mas, se o jovem está disposto a cometer um crime e ainda não está mentalmente equipado para avaliar consequências de modo eficaz, será que o medo de “ser preso como adulto' vai impedi-lo?

    Assinale a opção em que, pluralizando-se a expressão destacada e obedecendo-se às convenções no âmbito da concordância e da regência, o período se apresenta de acordo com a norma padrão.
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